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quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Amor à Medicina

         

               Não sou médica. Nunca salvei uma vida. Não sei qual é o tamanho da graciosidade de tal ato. Mas hoje vivi aqueles momentos únicos. Aqueles que tu sabes que nunca viveu, aqueles que tu sabes que nunca viverá de novo. Um daqueles momentos que te faz ter certeza do que tu queres para teu futuro. Que te faz ter certeza do motivo pelo qual viestes ao mundo.
             Pela primeira vez junto a um clube onde sou voluntária entrei no hospital. Aquele dia seria como qualquer outro. Dia de campanha. Dar o doce, fazer uma carícia na mão de quem ali se encontra com a saúde debilitada, sair pela porta do quarto, entrar em outra e assim continuar até que o último quarto receba a bondade de nossas visitas.
             Sinceramente, aos olhos de qualquer um, meu dia pode passar por despercebido. Pode parecer banal. Mas aos meus olhos e a minha alma aquele dia mudara tudo.
              Sei que posso ajudar as pessoas de muitas formas. Posso doar dinheiro a uma instituição que cuida de crianças com câncer. Posso me tornar uma professora e ajudar um adulto analfabeto no processo de aprendizagem. Posso doar sangue e posso até dar um abraço. Sim, existem milhares de maneiras para sermos pessoas de verdade. Mas aquele hospital. Aquele momento. Aquela cena e aquelas palavras mudaram meu mundo.
             O fundo se constituía por uma porta enorme, azul, com uma divisória no meio. E então a cena principal se formava por um homem que vestia jaleco branco e carregava em seu pescoço um estetoscópio. Ele estava rodeado pelos braços de uma mulher com estatura menor. Ela chorava, mas sei que era de alegria. Foram poucas as palavras daquela mulher. Mas a intensidade com que as disse deixou claro a gratidão que levaria por aquele homem pelo resto de sua vida.
             Não fiz minha escolha a partir daquele momento. Tampouco daquelas palavras. Fiz minha escolha a partir daquele desejo. Daquela vontade. Daquele frio na bariga. Fiz minha escolha a partir do que me foi ensinado a vida toda; “amai aos outros como vos amei”. Fiz minha escolha sem pensar na retribuição financeira que ela me traria. Sem pensar nas portas que me abriria. Sinceramente, fiz minha escolha com a mais das humildes vontades: salvar com a medicina e ser salva por ela.

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